Embora esta seja apenas uma das etapas, e que o desempenho do atleta ao longo de toda a competição é que irá definir se ele será ou não o campeão, especial atenção é dada ao treinamento e configuração da bicicleta para esta etapa em especial.
Em geral, nessas provas, o grande vencedor da geral será o ciclista mais regular, com desempenho forte tanto na montanha quanto na crono individual.
Um interessante documentário sobre a vida de Lance Armstrong produzido pela Discovery Channel mostrou grande preocupação da equipe de apoio do ciclista quanto a dois aspectos, a aerodinâmica do ciclista e a sua capacidade fisiológica.
A literatura científica descreve há alguns anos que a aerodinâmica é a maior resistência que o ciclista pode enfrentar ao pedalar em ambiente aberto. Devido à proibição do uso do vácuo, a prova de contra-relógio individual adquire um caráter decisivo sobre a performance e a capacidade física do ciclista.
Na década de 90 foi quantificado o quanto de energia o ciclista economiza, em média, ao pedalar atrás de um ciclista ou atrás do pelotão.
Representação esquemática da energia economizada ao pedalar atrás de um, dois, três ciclistas, atrás do pelotão de cinco ciclistas ou atrás de um caminhão em velocidade de 32 km/h. Figura extraída do livro High-Tech Cycling (1996) de E.R.Burke.
Se pensarmos no caso do triathlon olímpico, ou mesmo no Ironman, onde o vácuo no ciclismo é proibido, o que o triatleta deve atentar para otimizar a aerodinâmica?
Muitas vezes a adoção de uma posição mais aerodinâmica torna-se desconfortável e pode aumentar o custo energético por maior exigência dos músculos posturais.
O britânico Chris Broadman ao ser questionado como conseguiu percorrer 56.375 metros em uma hora de ciclismo em pista, respondeu que conhecia uma série de ciclistas que possuíam capacidade fisiológica de fazer este feito, no entanto, nenhum deles conseguia permanecer por tanto tempo em uma posição tão desconfortável. Talvez o grande feito de Broadman foi conseguir manter esta posição.
A associação de uma melhora da posição sobre a bicicleta com uma estratégia adequada de variação da velocidade na prova de contra-relógio, pode permitir que o atleta obtenha um desempenho diferenciado. A estratégia de variação da velocidade durante uma prova de exigência constante (vento e inclinação do terreno) é adquirida com treinamento, segundo os estudos observados na literatura científica.
O pacing, como é chamado pelos pesquisadores, tanto no ciclismo como na corrida é adquirido e otimizado com a experiência de treinamento do atleta.
Para o ciclista que compete em estrada, mas não possui um perfil profissional, existem estratégias de baixo custo para otimizar a aerodinâmica, como por exemplo o uso de uma mesa um pouco mais comprida ou o uso de guidão clipe. Com isso o posicionamento se torna mais aerodinâmico sem aumento no peso da bicicleta. Fora isso, o treinamento fará sua parte, auxiliando inclusive no ajuste do posicionamento.
Chegamos então a conclusão de que o treinamento da posição mais aerodinâmica e o condicionamento e auto-conhecimento do pacing são importantes para o atleta saber controlar o nível de esforço na prova contra-relógio e obter desempenho ótimo e muitas vezes essas características virão somente com a prática efetiva.
GEPEC – Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciclismo – www.ufsm.br/gepec
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